quarta-feira, 3 de maio de 2017

Extraordinário soneto do século XVII

Extraordinário soneto do século XVII

No século XVII, época do Barroco, os artistas eram dados a estes jogos.
Às vezes até se ficavam pelos trocadilhos, não curando dos assuntos.
Mas este tem assunto bem recheado de saber.
Soneto, obra-prima do trocadilho, escrito no século XVII por Frei António das Chagas (António Fonseca Soares).

CONTA E TEMPO

Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?


Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta.
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero fazer conta, e não há tempo.


Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em fazer conta!


Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta,
Chorarão, como eu, o não ter tempo...

segunda-feira, 3 de abril de 2017

OS POBREZINHOS


LOBO ANTUNES E AS PROXIMAS CANONIZAÇÕES
OS POBREZINHOS

"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres.
Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida. 
Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, batizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam.
Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria: - Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da menina Teresinha.
O plural de pobre não era «pobres». O plural de pobre era «esta gente».
No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, um bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre.
Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:
- Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.
Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres dinheiro, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto (- Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro) de forma de deletéria e irresponsável.
O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico
- Agora veja lá, não gaste tudo em vinho
o atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo:
- Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeu.
Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros:
- O que é que o menino quer, esta gente é assim.
E eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.
Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de atriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais.
A atriz bateu a bota, o pai ficou ótimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse
- Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar, e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.

Na minha ideia o padre Cruz e a Sãozinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado «Almanaque da Sãozinha», se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso.
Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afeto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis".
Por António Lobo Antunes.





Fantástica esta analogia


No ventre de uma mãe havia dois bebés . Um perguntou ao outro:
  "Acreditas na vida após o parto?"
  O outro respondeu: "É claro. Tem que haver algo após o parto. Talvez nós estejamos aqui para nos preparar para o que virá mais tarde."
  "Disparate", disse o primeiro. "Que tipo de vida seria essa?"
  O segundo disse: "Eu não sei, mas haverá mais luz do que aqui. Talvez nós possamos andar com as nossas próprias pernas e comer com as nossas bocas. Talvez tenhamos outros sentidos que não possamos entender agora."
  O primeiro retrucou: "Isso é um absurdo. O cordão umbilical fornece-nos nutrição e tudo o mais de que precisamos. O cordão umbilicalé muito curto. A vida após o parto está fora de cogitação."
  O segundo insistiu: "Bem, eu acho que há alguma coisa e talvez seja diferente do que é aqui. Talvez a gente não vá precisar deste tubo físico."
  O outro contestou: "Além disso, se há realmente vida após o parto, então, por que ninguém jamais voltou de lá?"
  "Bem, eu não sei", disse o segundo, " mas certamente vamos encontrar a Mamã e ela vai cuidar de nós."
  O primeiro respondeu: " Mamã, acreditas mesmo na Mamã? Isto é ridículo. Se a Mamã existe, então, onde está ela agora?"
  "Ela está ao nosso redor. Estamos cercados por ela. Nós somos dela. É nela que vivemos. Sem ela este mundo não poderia existir."
  Disse o primeiro:" Bem, eu não posso vê-la, então, é lógico que ela não existe."
  Ao que o segundo respondeu: "Às vezes, quando estás em silêncio, se te concentrares e realmente ouvires, vais perceber a presença dela e ouvir a sua voz amorosa"

  Este foi o modo pelo qual um escritor húngaro explicou a existência de Deus. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

CÓPIA DA CÓPIA É NO QUE DÁ …


*Um jovem noviço chegou ao mosteiro e logo lhe deram a tarefa de ajudar os
outros monges a transcrever os antigos cânones e regras da Igreja .*

*Ele surpreendeu-se ao ver que os monges faziam o seu trabalho copiando a
partir de cópias e não dos manuscritos originais .



Foi falar com o velho  Abade e comentou que, se alguém cometesse um erro na primeira cópia, esse  erro se propagaria em todas as cópias posteriores .



O Abade respondeu-lhe  que sempre fizeram assim, há séculos copiavam da cópia anterior, na verdade desde o início da Igreja, para poupar os originais .*
*Mas admitiu que achava interessante a observação do noviço .*
*Na manhã seguinte, o Abade desceu até às profundezas do porão do mosteiro,
onde eram conservados os manuscritos e pergaminhos originais, intactos e
com a poeira de muitos séculos . . . Pois passou-se a manhã, a tarde e a
noite, e ninguém mais vira o Abade . O último que o vira informou que ele
estava indo na direcção do porão . Preocupados, o jovem noviço e mais
alguns monges decidiram procurá-lo .*

*Nos labirintos do mais profundo e frio compartimento do porão, encontraram
o velho Abade  completamente descontrolado, tresloucado, olhos
esbugalhados, espumando e com as vestes rasgadas, batendo com a cabeça já
ensanguentada nos veneráveis muros do mosteiro .*

*Apavorado, o monge mais velho da turma de busca perguntou:



- Mas, Abade, pelo amor de Deus, o que aconteceu ?



- IMBECIL ! IMBECIL ! IMBECIL o  primeiro copista !!! Desgraçado, que arda no Inferno ! CARIDADE !!!!! . . . era CARIDADE !!! Eram votos de "CARIDADE" que tínhamos que fazer . . . e  não de "CASTIDADE"!!! . . . .*

sábado, 26 de março de 2016

Puto inteligente

 
 A professora estava com dificuldades com um dos alunos.

- Lucas, qual é o problema?

- Sou demasiado inteligente para estar no primeiro ano. A minha irmã está no terceiro ano e eu sou muito mais inteligente do que ela, quero ir para o terceiro ano também!

A professora vê que não vai conseguir resolver o problema e manda-o para o conselho directivo.

Enquanto Lucas está na sala de espera, a professora explica a situação ao director, este decide fazer um teste ao miúdo.

A professora então chama o Lucas e explica-lhe que lhe vão fazer um teste e caso ele responda correctamente a todas as perguntas passará automaticamente para o terceiro ano.

O Director começa:

- Lucas, quantos são 3 vezes 3?

- 9.

- E quantos são 6 vezes 6?

- 36.

E o director continua com as perguntas a que um aluno do terceiro ano deve saber responder e Lucas não erra nada. O director diz para a professora:

- Acho que vamos mesmo ter que passar o Lucas para o terceiro ano.

- Posso fazer algumas perguntas também, Sr.Director? Pergunta a professora.

O director concorda e a professora começa:

- A vaca tem quatro e eu só tenho duas o que é?

Lucas pensa um instante e responde:

- Pernas.

Ela faz-lhe outra pergunta:

- O que é que tu tens nas tuas calças que eu não tenho nas minhas?

O director arregala os olhos, mas não tem tempo de interromper...

- Bolsos. Responde Lucas.

- O que é que entra na frente da mulher e que só pode entrar atrás no homem?

Estupefacto com as questões, o director prende a respiração...

- A letra "M". Responde o miúdo.

A professora continua o questionário:

- Onde é que a mulher tem o cabelo mais encaracolado?

- Em África.

- O que é que é mole, mas na mão das mulheres fica duro?

- O verniz.

- O que é que as mulheres têm no meio das pernas?

- Os joelhos.

- O que é que a mulher casada tem mais larga que a solteira?

- A cama.

- Qual o monossílabo técnico que começa com a letra C e termina com a Letra U e ora está sujo ora está limpo?

- O céu.

- O que é que começa com C tem duas letras, um buraco no meio e eu já dei a várias pessoas?

- CD.

Não se contendo mais, o director interrompe, respira aliviado e diz à professora:

- Ponha o Lucas no quarto ano. Até agora EU errei todas!

quinta-feira, 17 de março de 2016

ALGUMAS LEIS E PRINCÍPIOS DEMONSTRADOS EMPIRICAMENTE

"A apólice de seguro cobre tudo, menos o que aconteceu." ( Lei de Nonti Pagam).

 "Quando estiveres só com uma mão livre para abrir a porta, a chave
estará no bolso do lado oposto." (Lei da Assimetria, de LakaGamos).

"Quando suas mãos estiverem sujas de gordura, vai começar a ter
comichão, pelo menos, no nariz." (Lei de Tepika Napenka).

"Não importa por que lado seja aberta a caixa de um medicamento. O
papel das instruções vai sempre atrapalhar." (Princípio de
Aspirinovsky).

"Quando achas que as coisas começam a melhorar, é sinal de que algo te
passou despercebido." (Teorema de Tamus Tramadus)

"Sempre que as coisas te parecem fáceis, é porque não entendeste todas
as instruções." (Princípio de Atrop Lado)

Os problemas não se criam, nem se resolvem, só se transformam." (Lei
da persistência de Waisterk Pastar)

" Quando correres para o telefone, vais chegar exactamente a tempo de
ouvir que desligam." (Principio de Turn Off Early)

"Se só existirem dois programas de TV que valha a pena ver, os dois
passarão certamente à mesma hora." (Lei de Put Kipariu)

"A probabilidade de que te sujes a comer é directamente proporcional à
necessidade que tiveres de estar limpo." (Lei de Kika Gada)

"A velocidade do vento é directamente proporcional ao esmero do
penteado." (Lei de Bento Xato )

"Quando, depois de anos sem a usares, decides atirar alguma coisa
fora, vais precisar dela logo na semana seguinte."
 (Lei de Kitonto Kifostes)

"Sempre que chegares pontualmente a um encontro, não haverá ninguém lá
para o comprovar, e se ao contrário, te atrasares, toda a gente terá
chegado antes de ti."(Princípio de Tardy Piast)

1- LEIS BÁSICAS DA CIÊNCIA MODERNA:
   * Se mexer, pertence à Biologia.
   * Se cheirar, pertence à Química.
   * Se não funcionar, pertence à Física.
   * Se ninguém entender, é Matemática ou Filosofia.
   * Se não faz sentido, é Economia ou Psicologia.
   * Se mexer, não cheirar, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é INFORMÁTICA.

2- LEI DA PROCURA INDIRETA:
   * O modo mais rápido de encontrar uma coisa é procurar outra.
   * Encontras sempre aquilo que não procuras.

3- LEI DA COMUNICAÇÃO:
   * Quando te ligam: se tens caneta, não tens papel. Se tiveres papel, não tens caneta. Se tiveres ambos, ninguém liga.
   * Quando ligas para números errados de telefone, eles nunca estão ocupados.
    * Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.

4- LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA EM ROUPAS:
   * Se estiver escrito "Tamanho Único", é porque não serve em ninguém, muito menos em ti...

5- LEI DA GRAVIDADE:
   * Se consegues manter a cabeça fria enquanto à tua volta todos a estão perdendo, provavelmente NÃO estás entendendo a gravidade da situação...

6- LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS:
   * 80% da prova final serão baseados na única aula a que não compareceste e os outros 20% serão baseados no único livro que não leste.

 7- LEI DA QUEDA LIVRE:
   * A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do tapete.

8- LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS
   * A fila do lado anda sempre mais rápido.
   * Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.

9- LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA:
   * Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação constante do manual.

10- LEI DO ADESIVO:
    * Existem dois tipos de adesivo: o que não cola e o que não sai.

 11- LEI DA VIDA:
    * Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
    * Tudo que é bom na vida é ilegal, ou é imoral, ou engorda ou engravida.

 12- LEI DA ATRACÇÃO DE PARTÍCULAS:
     *Toda a partícula que andar no ar encontra sempre um olho aberto"

sábado, 13 de setembro de 2014

A moralidade da desonestidade - Que grande texto!

Há uns anos, uns ladrões entraram num banco de uma pequena cidade.
Um deles gritou: "Não se movam. O dinheiro pertence ao banco! As vossas vidas pertencem a vocês. "
Imediatamente todas as pessoas, no banco, se deitaram, no chão, em silêncio e sem pânico.
Este é um exemplo de como as palavras certas podem mudar a visão das coisas.



Uma mulher que estava no chão deitou-se de uma maneira provocante.
O assaltante aproximou-se dela, dizendo: "Minha senhora, isto é um roubo não um estupro. Por favor, aja em conformidade. "
Este é um exemplo de como se comportar profissionalmente e se concentrar no objetivo.


Durante o assalto, o ladrão mais jovem (que tinha um diploma universitário) disse para o assaltante mais velho (que tinha apenas o ensino básico):
"Hei, talvez nós devêssemos contar quanto roubámos?"
O homem respondeu:. "Não sejas estúpido. É uma grande quantidade de dinheiro. Vamos esperar pelo noticiário da TV para descobrirmos quanto dinheiro foi levado do banco. "
Este é um exemplo de como a experiência de vida é mais importante do que uma  licenciatura.

Após o assalto, o gerente do banco disse ao seu contabilista-chefe: "Vamos chamar a polícia e dizer-lhes quanto foi roubado."

"Espere", disse o contabilista ", antes de fazermos isso, vamos acrescentar os 800.000 dólares que  levantámos há alguns meses. "
Este é um exemplo de como tirar proveito de uma oportunidade.


No dia seguinte, foi dito no noticiário que o banco tinha sido roubado em 3 milhões de dólares.
Os ladrões contaram o dinheiro, mas encontraram apenas 1 milhão de dólares. Então eles começaram a barafustar.

"Nós arriscámos as nossas vidas por 1 milhão de dólares, enquanto a administração do banco roubou dois milhões de dólares, sem pestanejar? Talvez seja melhor aprender a trabalhar no sistema, em vez de ser um simples ladrão. "
Este é um exemplo de como o conhecimento pode ser mais útil do que o poder.


Moral da história:
Dê-se a uma pessoa uma arma e ele pode roubar um banco. Dê-se a uma pessoa um banco e ela pode roubar todos.